quando dou, não tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu dou, eu como.

Silvia Sangirardi


















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(Silêncio)


- Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
- Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
- Vou te escrever carta e não te mandar.
- Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
- Vou ver Saturno e me lembrar de você.
(...)
- O tempo não existe.
- O tempo existe, sim, e devora.
(...)
- Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
- E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.

(Silêncio)


- Mas não seria natural.
- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- Natural é encontrar. Natural é perder.
- Linhas paralelas se encontram no infinito.
- O infinito não acaba. O infinito é nunca.
- Ou sempre.

(Silêncio)


- Tudo isso é muito abstrato. Está tocando "Kiss, kiss, kiss". Por que você não me convida para dormirmos juntos.
- Você quer dormir comigo?
- Não.
- Porque não é preciso?
- Porque não é preciso.



(Silêncio)


- Me beija.
- Te beijo.

 

Caio F.

  

 

 

 

 

 

 

 

 



- Postado por: às 05h28 AM
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Sabe, eu me perguntava até que ponto
você era aquilo que eu via em você
ou apenas aquilo que eu queria ver em você,
eu queria saber até que ponto você
não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia,
e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você
todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo,
sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas,
e pensava que amar era só conseguir ver,
e desamar era não mais conseguir ver, entende?"

 

 Caio Fernando Abreu

 

 

 



- Postado por: às 11h24 PM
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