

quando dou, não
tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu
dou, eu como.
Silvia Sangirardi


Amor Perfeito




Pudesse eu, vez por outra, me cercaria de ti. Teria-te ao redor da cintura, sobre os ombros, entre os dedos, quem sabe à volta, represa sólida para águas furiosas. Pudesse eu, vez por outra, tu serias recipiente, compartimento, fronteiras e, a um só tempo, o referencial das distâncias. Teria eu teus braços em remanso na proximidade azul das manhãs, tuas pernas de limite na vazante vertente das noites e não temeria o curso caudaloso dos rios sobre o peito. Pudesse eu, vez por outra, te cercaria de mim.
Ticcia

Fervilho, e ao te encontrar, transbordo. Saltito e ao te encontrar, vôo. Recito e ao te encontrar, canto. Me alegro e ao te encontrar, rebento. Há em mim a latência da amplidão que encontro sendo mais de mim nas coisas que sabemos, há em mim uma prenhez de infinitos que espera tua chegada para se realizar em nós, há em mim o sonho que nos ensinamos a sonhar e quisemos desde sempre ser. Te espero vestida da nudez das horas, com os braços fecundos dos dias que serão nossos, com a alma em véspera de amor maior.
Ticcia

