

quando dou, não
tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu
dou, eu como.
Silvia Sangirardi


Amor Perfeito




Luxúria -
Dobro os joelhos
Quando você me pega, me amassa, me quebra,
Me usa demais
Perco as rédeas
Quando você demora, devora, implora sempre por mais
Eu sou navalha cortando na carne
Eu sou a boca que a língua invade
Sou o desejo maldito e bendito, profano e covarde
Desfaça assim de mim
Que eu gosto e desgosto, me dobro,
Nem lhe cobro rapaz
Ordene e não peça
Muito me interessa a sua potência, seu calibre e seu gás
Sou o encaixe, o lacre violado
E tantas pernas por todos os lados
Eu sou o preço cobrado e bem pago
Eu sou um pecado capital
Eu quero é derrapar nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Quero beber o que dele escorre pela pele
E nunca mais esfriar minha febre.
Isabella Taviani

Desta vez vou escrever-te um poema que vai ser um poema de amor, mas que não é apenas um poema de amor. O amor, com efeito, é algo que não cabe num poema; pelo contrário, o poema é que pode caber no amor, sobretudo quando te abraço, e sinto os teus cabelos na boca, agora que a tua voz me corre pelos ouvidos como, num dia de verão, a água fresca corre pela garganta. A isto, em retórica, chama-se uma comparação; e pergunto o que é que o amor tem a ver com a retórica, ou por que é que o teu corpo se teme de transformar numa metáfora - rosa, lírio, taça, qualquer objeto que tenha, na sua essência, um elemento que me possa levar até ele, como se fosse preciso, para te tocar, substituir-te por uma outra imagem, ver em ti o que não és, nem tens de ser, ou ainda transformar-te num lugar comum, que é aquilo em que, quase sempre, acabam os poemas de amor. Assim, este poema de amor é, mais do que um poema de amor, um exercício para escrever um poema de amor - mas um poema de amor a sério, sem comparações nem metáforas, só contigo, com o teu corpo, com a tua voz, com os teus cabelos, com aquilo que é real, e não precisa de sair da realidade para se tornar objeto de um poema de amor em que o amor, finalmente, deixa de ser o objeto único do poema, que se preocupa acima de tudo com a retórica, as imagens, o equilíbrio das formas. Mas, pergunto, não é o teu corpo uma flor? Não é a tua boca uma rosa? Não são lírios os teus seios? Tudo, então, se transforma: e o que tenho nas mãos é uma imagem, a pura metáfora da vida, a abstrata metamorfose das emoções. O resto, meu amor, é tu - e é por isso que o poema de amor que te escrevo não é, finalmente, um poema de amor.
Nuno Júdice in «Poesia Reunida 1967-2000»

Vem falar-me de AMOR....



Fiquei encantada com este texto que li num blog e fui atrás da Rita Apoena, ela escreve divinamente... com uma leveza e graça infinitas.
Enfim vale a pena ler.
Geralmente lemos poesias, prosas, tratados de amor desfeito ou desamor com muita tristeza e pesar, mas a Rita soube transmitir de uma maneira clara que ninguém é culpado de um amor não correspondido, nem quem ama, nem quem é amado. Sabem, gostei...
Mas nem pensem que está acontecendo comigo, claro que já aconteceu, quem nunca amou e não foi amado?
Mas o que quero mesmo é ser amada e muitoooo, já fui outras tantas vezes, mas quem não quer um amor sempre? um amor que te faça sorrir, um amor que faça vc querer sempre mais (em todos os sentidos) Um amor que...
Um amor...Ah o AMOR

Que venha este AMOR!

Eu guardo em mim
Dois corações:
Um que é do mar;
Um das paixões.
Um canto doce,
Um cheiro de temporal,
Eu guardo em mim
Um deus, um santo,
Um louco, um bem e um mal.
Eu guardo em mim
Tantas canções
De tanto mar,
Tantas manhãs.
Encanto doce,
Um cheiro de vendaval,
Guardo em mim
O deus, o louco,
O santo, o bem e o mal.
Eu guardo em mim,
Tantas canções
De tanto mar,
Tantas manhãs.
Encanto doce,
Um cheiro de vendaval,
Guardo em mim
O deus, o louco,
O santo, o bem e o mal.
O bem e o mal...
(Danilo Caymmi).


Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no
evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos
dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário
nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas,
projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um
cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário
nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas,
projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz
Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis
Consta nos Ovnis, no Pravda, na Vodca
Chico Buarque

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Eu me lembro sempre onde quer que eu vá
Só um pensamento em qualquer lugarSó penso em vocêEm querer te encontrarSó penso em vocêEm querer te encontrarLembro daquele beijo que você me deuE que até hoje está gravado em mimE quando a noite vemFico louca pra dormirSó pra ter você nos meus sonhosMe falando coisas de amorSinto que me perco no tempoDebaixo do meu cobertorEu faria tudo pra não te perderAssimMas o dia vem e deixo você irDeixo você irDeixo você irDeixo você irDeixo você irCanta: Ivete Sangalo |
. Eu sei que os sonhos são pra sempre Eu sei aqui no coração Eu vou ser mais do que eu sou Para cumprir as promessas que eu fiz Porque eu sei que é assim Que os meus sonhos dependem de mim Eu vou tentar Sempre E acreditar que sou capaz De levantar uma vez mais Eu vou seguir Sempre Saber que ao menos eu tentei E vou tentar mais uma vez Eu vou seguir Não sei se os dias são pra sempre Guardei você no coração Eu vou correndo atrás Aprendi que nunca é demais Vale a pena insistir Minha guerra é encontrar minha paz Eu vou tentar Sempre E acreditar que sou capaz De levantar uma vez mais Eu vou seguir Sempre Saber que ao menos eu tentei E vou tentar mais uma vez Eu vou seguir Eu vou tentar Sempre E acreditar que sou capaz De levantar uma vez mais Eu vou seguir Sempre Saber que ao menos eu tentei E vou tentar mais uma vez Eu vou seguir
Se alguém perguntar por mim /Diz que fui por aí.

Ardo pela fome das tuas mãos, pela sofreguidão dos teus gestos, pelo desespero da tua boca a percorrer minhas frestas e reentrâncias. Me desnudo fêmea em gosto, pétala e umidade à espera da invasão da tua carne. Quero a posse lasciva da língua, o ritmo insano do corpo porque em mim há um todo de ti que urge, rebenta, lateja, e uma de mim que quando chegas e me cobres e me preenches e me inundas, transborda em ti.
Patricia Antoniete

Amor, se tu me apareces assim


Cúmplice
Eu quero uma mulher
que seja diferente
de todas que eu já tive,
de todas tão iguais
que seja minha amiga,
amante, confidente
a cúmplice de tudo
que eu fizer a mais.
No corpo tenha o Sol
no coração a Lua
a pele cor de sonho
as formas de maçãs
a fina transparência
uma elegância nua
o mágico fascínio
o cheiro das manhãs.
Eu quero uma mulher
de coloridos modos
que morda os lábios sempre
que for me abraçar
no seu falar provoque
o silenciar de todos
e seu silêncio obrigue
a me fazer sonhar
Que saiba receber
que saiba ser bem-vinda
que possa dar jeitinho
a tudo que fizer
que ao sorrir provoque
uma covinha linda
de dia, uma menina
a noite, uma mulher
Juca Chaves
