

quando dou, não
tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu
dou, eu como.
Silvia Sangirardi


Amor Perfeito





Tenho em mim algo de poeta
Algo como um vulcão
Não em intensidade
Porque intenso não é
É sutil e frágil e me obriga a prestar tanta atenção
que às vezes me pego distraída
olhando as palavras do meu coração.



O melhor beijo é o beijo desejado,
o beijo que me completa,
o beijo da minha forma adequada,
o beijo com o sabor do desejo
na flor da minha pele,
o beijo da minha vontade,
o beijo que faz o meu pensamento,
o beijo que faz a minha boca e
meu corpo querer um novo beijo
outra vez e mais outra vez.
O melhor beijo é o beijo sem tempo,
o beijo de longa duração ou de pouca duração,
um beijo de vinte segundos
ou de vinte minutos, isto não importa.
O tempo não conta,
enquanto se beija o tempo para, o tempo freia.
E nesta inércia do tempo
só sinto a louca vontade do outro.
Sinto a outra língua que de encontro
com a minha faz um passeio suave e
excitante umedecendo minha alma.
Sinto a língua que viaja dos
dentes ao céu da boca.
Sinto a língua que acarinha os
meus lábios. A língua e a língua...
A língua que me roça, que me percorre,
que me navega e que me lambe...
O melhor beijo é o beijo em que a língua
faz o beijo e o beijo faz o sexo.


"De repente... Não mais que de repente"


Felicidades a todas as professoras que nos ensinaram a usar as palavras....


Clarice Lispector-
in " A Descoberta do Mundo"


Poetizar...
Como se as palavras não vêm?
Como se perdi o trem, o tempo, se me fui no vento?...
Como se um nó me aperta a garganta, esconde o pensar?
Lápis, papel em branco, rabiscos toscos...
Preciso poetizar, falar em versos, tecer do magia do poemar...
E o lápis me escapa por entre meus imperfeitos dedos
Esconde-se na fresta de minha incapacidade de falar
Falar de amizades, da singeleza dos gestos...
Falar de rugidos suaves, de festejos breves...
Falar dos encontros rápidos, da furtividade dos momentos poucos...
Queria poder poetizar
Escrever em rimas, escrever com métrica...
Escrever em versos livres... sem preocupação com a estética...
Simplesmente escrever
Transcrever em letras legíveis os sorrisos que fizeste brotar de meus lábios, as lágrimas que fizeste brotar de meus olhos...
Transcrever a alegria das horas de cumplicidade, de poesia, de amizade...
Transcrever em palavras a poesia completa da menina, da mulher, da pantera...
Da menina-mulher-pantera que ruge manso... que ronrona leve... que sorri inteira... que arranha,mas também afaga... Elegante, felina, menina...
Mas as palavras me faltam
E fica apenas a vontade...
(Isa)

Pode ir se preparando, se arrumando,
Que agora eu quero mesmo é te desarrumar
Pode ir me aguardando, eu estou chegando,
E estou com tudo pronto pra te incendiarO amor está me seguindo, me botando na parede
E agora não tem jeito: eu vou acelerar
Eu vou chegar com tudo, vou te pegar de jeito,
Você não vai ter tempo nem pra respirarMas eu não vou te esperar,
Se você não resolver,
Se tem medo de me acompanhar,
Pode deixar: eu me mando sem você!Eu já gritei, eu me arrisquei,
Eu me queimei, eu fiz de tudo,
Eu me pus no seu lugar...E se você não responder,
Não fico mais nenhum segundo,
Nada vai me segurar!Não vou ficar marcando o passo,
Me diz agora se você vem comigo, ou se vai ficar?
Eu já estou largando tudo, caindo fora,
Nada mais me prende aqui nesse lugarEstou mudando o meu destino,
Joguei fora o que não presta,
Agora eu quero mesmo e vou enlouquecerÉ hora da virada,
Partir pro tudo ou nada,
E eu não estou com nenhum tempo pra perderMas eu não vou te esperar,
Se você não resolver,
Se tem medo de me acompanhar,
Pode deixar: eu me mando sem você!Eu já gritei, eu me arrisquei,
Eu me queimei, eu fiz de tudo,
Eu me pus no seu lugar...E se você não responder,
Não fico mais nenhum segundo,
Nada vai me segurar!
Ana Carolina, Totonho Villeroy e Eugênio Dale

quando dou, não tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu dou, eu como.
Silvia Sangirardi

Sinta
Minhas mãos
Sacanas
Determinadas
Certeiras
Escute
Meus sussurros
Insanos
Livres
Provocantes
Receba
O que ofereço
Quente
Vibrante
Ardente
Experimente
Toque
Crie
Pinte
Faça
Arte!
Emília Lopes


Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?
Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?
Fugaz, com que direito tens-me presa
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:
E és tampouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!
Vinicius de Moraes


Viver pra fora é voar,
mergulhar tenro e macio,
espreguiçar no teu cio
um toque buscando vãos,
como esvoaçar de ninfetas
e dança de borboletas.
Viver pra dentro é voltar,
ao começo num tropeço,
mergulhar vermelho em ti mesmo,
vestir-te de ti pelo avesso,
arrancando espinho a esmo,
pisando com todo peso
os calos do coração
Elane Tomich