

quando dou, não
tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu
dou, eu como.
Silvia Sangirardi


Amor Perfeito





O que é VIVER?
Viver é inventar o dia.
É desconhecer a arrogância.
Exalar pura energia!
Fazer poemas de amor.
Devolver sorrisos.
Acreditar que o bem vence o mal. Sempre!
Enfeitar o coração com cores!
Conquistar amigos e ser sempre leal e fiel.
Transformar dor em alegria.
Ser amor de coração.
Inspirar justiça.
Viver é correr atrás dos sonhos,
da inspiração, dos projetos.
Buscar o entendimento das coisas.
Ser sempre da paz.
Orar em agradecimento pelas dádivas recebidas.
Buscar o que nos faz bem e aos outros também.
Beijar na boca.
Amar!
Pintar o mundo com as cores que nossa imaginação mandar.
Estar sempre jovem.
Viver é: Ser sempre verdadeiro.
É constantemente redescobrir as coisas belas da vida,
lembrando que o sorriso é o idioma universal.
Ouvir músicas que acalmem a alma.
Desacelerar e aproveitar o tempo,
cada pequeno momento de prazer.
Viver,... é simplesmente ver
a vida com o coração.
Rô (Querendo viver)


Com o perdão da palavra,
eu gosto mesmo é de buceta.
Há palavras que não se encaixam
no verso ou na prosa,
mas buceta se encaixa,
buceta é gostosa.
Buceta é uma beleza,
buceta é a palavra mais linda
da língua portuguesa,
buceta é a coisa mais bonita do mundo.
O que seria de mim sem ela?
Nem sequer eu nasceria.
Buceta, via de regra, é a via.
A via estreita.
Somos todos filhos da buceta.
Sou um bucetófilo,
com o perdão da palavra.
A palavra é feia,
mas a buceta, não.
A buceta é bela.
O que seria de mim sem ela?
Repetirei tanto a palavra buceta
que você vai se acostumar.
Pois até mesmo as garotas mais recatadas,
de boca limpa e pensamentos sérios,
têm buceta.
Até mesmo os homens mais cheios de siso,
para quem a palavra buceta não deve entrar no poema,
vieram da buça.
De menino, sou da buceta.
A buceta me intriga
desde os tempos imemoriais.
Não se passou uma hora em minha vida
sem pensamentos de buceta.
A buceta é meu princípio, meu fim:
eu me acabo na buceta.
Por isso eu falo, por isso eu penso,
por isso eu canto: bu-ce-ta.
Nunca mais direi uma frase
que não inclua a palavra buceta.
A ela renderei todos os meus sins,
todos os meus ais, todas minhas odes.
Com a buceta ninguém pode.
(Disse.)
Buceta é outra civilização,
vou-me embora pra buceta.
Todas as coisas, meu amigo,
são bucetas disfarçadas.
O pinto, esse ridículo,
não passa de um ensaio,
muito mal-feito, aliás.
A buceta, não: a buceta é sutil,
pertence ao lado de dentro,
delicada como um lírio de carne,
um tamarindo fêmea,
uma usina de pêlos e músculos,
como é linda a buceta.
Irmã da boca, caminho das mãos, amiga do peito,
senhora dos meus pensamentos,
com o perdão da palavra,
eu te amo, buceta.
Paulo Briguet

Sou a mulher invisivel
Planando acima da multidão fervilhante
Que ruge aos meus pés,
Sentindo a minha presença,
Sem me poder alcançar.
Sou um cavalo alado,
Desbravando planicies brancas
Correndo em manadas,
Vivendo liberdades
Que outros nem provam.
Sou mariposa noturna
De asas abertas
Antenas ligadas ao mundo
Sugando vida da vida
Provando o amor no ar.

beije-me as coxas
pálpebras, dedos, lóbulos
os dois
beije-me os seios
um e outro, que são ciumentos
ambos
beije-me os lábios
superior e inferior
os grandes e os pequenos
todos
Martha Medeiros

Post Oferecido pelo meu querido amigo Marcelo Idiarte, apreciador das coisas belas...

Amo a tormenta
A tempestade, a velocidade
Não espere, quero surpresa
Me desespere e estarei presa
Ata-me
Ata-me
Ata-me
Ata-me e beija
Deseje muito
Festeje sempre
Atormente, atormente
Não me deixe ir
Roube minha alma
Faça de conta
Provoque a palavra
Desafie cada segundo
Com a vida
Em cada chegada
Forje a despedida
Sem calma, me ame
Com pressa, mechame
Serei tua mulher
Beija, beija ata-me e beija
Beija ou me deixa beijar, beijar
Deseje muito
Festeje sempre
Atormente, atormente
Não me deixe ir
Roube minha alma
Faça de conta
Provoque a palavra
Desafie cada segundo
Com a vida
Em cada chegada
Forje a despedida
Sem calma, me ame
Com pressa, me chame
Serei tua mulher
Beija, beija, ata-me e me beija
Beija ou me deixa beijar, beijar
Amo
Porque não me acalmo
Amo
Porque não me acalmo não
Daniela Mercury

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Insensatez eu navego nas águas perigosas |

Filamentos
Teço os caminhos em que eu mesma ando
Rasgam-se-me as vestes cerzidas pelo Tempo
Nua, detenho dos véus da Vida
Retalhos de minha cosedura.
Roberta Tostes

é noite, espero por ti
mas tu demoras...
a ansiedade toma conta de mim
meto a mão por baixo da blusa
acaricio os meus seios
de mansinho, com carinho
imagino-te a chegar
a envolveres-me num abraço
mas demoras...
a minha mão desce
procura outros prazeres
não aguento, tiro a roupa
tenho de me sentir liberta
tenho de sentir o teu toque
que tarda...
as minhas mãos são as tuas
os meus dedos, os teus
percorrem caminhos
que tão bem conhecem
lentamente
com ternura
com loucura
sinto-te a chegar
sinto-te em mim
sinto-me explodir
deixo-me ficar
adormecida
à espera de ti...

Provei-te e gostei
Quero sempre mais.
Saborear-te lentamente,
tomar o teu gosto
e fazer-te perdurar.
Deliciar-me com o prazer
que esta tua iguaria me dá!
*Ana Luar


Falo sozinha
Pois só os loucos se permitem
Diálogo consigo mesmo
Talvez somente os insanos
Se questionem sem pudor
Se permitam o diálogo
Entre as partes do seu ser
E quão tênue é a fronteira entre a sanidade e a loucura.
Oscilamos pendularmente entre loucura e sanidade
Isso é viver...
Talvez a plenitude seja
Não sentir culpa pela loucura!
Letícia Marques

se você chegasse assim bela
na minha janela
com esse rosto gostoso
e esse sorriso sincero
eu te colocaria dentro
e passaria a tramela
faria do teu corpo meu horto
minha morada
te beijaria inteira
te faria princesa
nem puta nem senhora
mas uma senhora mulher
te faria ainda se sentir menina
dessas sapecas
alisaria teus pelos
entraria em teus meios
com jeito e carinho
beijaria teus seios teus lábios
acho que depois não teria adeus
nem seria você pedra no caminho
seria sim água, rio, nau
te beberia a toda hora e navegaria todo dia
Raul Los Dias


Uma vez uma borboleta se apaixonou por uma linda rosa. A rosa ficou comovida, pois o pó das asas da borboleta formava um maravilhoso desenho em ouro e prata. Assim, quando a borboleta se aproximou voando da rosa e disse que a amava, a rosa ficou coradinha e aceitou o namoro. Depois de um longo noivado e muitas promessas de fidelidade, a borboleta deixou sua amada rosa. Mas ó desgraça! A borboleta só voltou muito tempo depois.
- É isso que você chama fidelidade? – choramingou a rosa. – Faz séculos que você partiu, e além disso você passa o tempo de namoro com todos os tipos de flores. Vi quando você beijou dona Gerânio, vi quando você deu voltinhas na dona Margarida até que dona Abelha chegou e expulsou você... Pena que ela não lhe deu uma boa ferroada!
- Fidelidade!? – riu a borboleta. – Assim que me afastei, vi o senhor Vento beijando você. Depois você deu o maior escândalo com o senhor Zangão e ficou dando trela para todo besourinho que passava por aqui. E ainda vem me falar em fidelidade!
Moral: Não espere fidelidade dos outros se não for fiel também.


Não lavei os seios
pois tinham o calor
da tua mão.
Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.
Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.
Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.
Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:
donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar.
(Soares Feitosa)


Provei-te e gostei
Quero sempre mais.
Saborear-te lentamente,
tomar o teu gosto
e fazer-te perdurar.
Deliciar-me com o prazer
que esta tua iguaria me dá!
*Ana Luar



Dedos do silêncio
Rosy Feros
Vem...
Me toma à beira da noite,
caminha por mim
com seus passos molhados,
despeja seu rio no meu cálice
– pois minha emoção é só água.
Vem...
Que eu lhe dou um trago
deste meu vinho guardado,
destas minhas uvas
frescas de inverno...
Que eu derramo em gotas meu perfume
pelos quatro cantos do seu corpo,
vestindo sua pele com a camurça
da nudez e do silêncio.
Vem...
Deita e me canta,
sente meu desejo
se esgueirando pelos seus dedos,
veleja sem bússola
pelos meus sentidos,
me olha como quem pede lua...
Deixa eu sussurrar minhas folhas,
soprar minhas pétalas
pelo seu peito de relva,
pelo seu solo macio.
Vem... Não volta,
esquece a hora morta
do cotidiano de sempre.
Me toca feito música
e deixa eu cantar meu bolero
pelas suas curvas de carne...
Sinto-me inocência
passeando por suas alturas,
por seus andares cheios
da mais noturna noite densa.
Desvenda essa face molhada
e me mostra a sua vertente original
de emoção-fêmea pura...
Que eu o espero na branca paz
do meu ventre adormecido,
dos meus braços plenos
de fogueiras e cantigas.
Vem...
Que eu desfolho
toda essa sua vontade nua,
que eu desperto
todo esse seu lado cigano...
pois o meu leite é morno
e é rosa franca meu sorriso.
Deixa seu barco
navegar pelo meu leito,
que eu carrego no peito a ânsia
de hastear a bandeira do infinito...
Vem...
Deita... Me namora...
Me afoga no espelho de luz
dessa madrugada afora,
me diz que no nosso tempo
não há tempo nem hora,
que eu não agüento
a flor do sexo que arde
nas entranhas de mim...
Deixa que eu amanheça
na espuma dessa sua onda quente,
deixa sua emoção fluir
da garganta num repente...
Que eu carrego nos olhos de relento
a voz que lhe pede a terra
e que lhe entrega o mar.
