

quando dou, não
tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu
dou, eu como.
Silvia Sangirardi


Amor Perfeito




Toque
Passe sua mão em meu corpo
Arrepiando-me a pele
Tocando-me as entranhas
Burilando o meu prazer
Toque sem medo
Meu sexo
Úmido
Quente
Latejante
E leve-me pelo mar
Das carícias
Das torturas do ardor...
Passe as mãos em minha nuca
Dizendo-me as vontades
Inconfessáveis do seu ser...
E os corpos tomados de desejo
Se abraçarão com despudor
Se encontrarão nas carícias
Profanas
Do nosso mais louco amor!
Letícia Marques


Ata-me, amarre-me, prenda-me!
Me encante com seus quereres, me encante com suas músicas, com suas poesias, com suas birras, me encante com seu jeito de ser mulher, menina, de ser você!
Existem várias amarras e você sabe encontrar a que necessito. Para ficar presa a você, mas solta.
Presa de querer ficar ao seu lado, solta de prazer, de querer!
Prenda-me ! Aprenda! Ensine, Ouse!

ALMA PAGÃ
Se quiser vá,
mas não levará teus seios;
destes, eu não abro mão!
Pode pegar teu coração na geladeira,
dentro dele não há nada de meu.
Vá, pode ir, mas não levará teus lábios!
Eles ainda roçam minha nuca
e de lá não sairão, juro que não!
A língua também fica;
com saliva e tudo.
Parta, siga teu caminho!
Mas vai castrada.
Tua vulva eu guardo comigo;
ela tem teus perfumes;
ela é olho único da tua alma pagã.
Não devolvo tuas coisas!
Nem à polícia entrego tuas nádegas!
Vá, mas vai aos pedaços, garanto que vai!
E não volte, que não adiantará...
Mas, por Deus, me faça crer que voltará!
Alexandre Fagundes

Valeu K! Muito lindo viu?
Memórias de um amor
Quero que você guarde de mim o perfume doce
impregnado em suas roupas.
A lembrança do esmalte vermelho em meus dedos,
quando alisei tua boca.
O sabor de hortelã das manhãs que acordamos juntos,
o cheiro do café passado, tomado na cama.
Quero que você se recorde da lingerie preta,
dos lençóis acetinados...
Das melodias de Gil, Jobim e Marisa Monte,
da poesia de Caetano,
dos sons do corpo em explosão,
cada vez que nos tocávamos.
Quero estar gravada como um código genético,
clonada em você para sempre.
Regina Vilarinhos


Quero que fique marcado este instante, foi muito lindo você deixar entrar em seu mundo.
K.
Gostar é Tão Fácil que Ninguém Aceita Aprender
Artur da Távola
Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para
pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor.
Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.
Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.
Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.
Tenho visto muito amor por aí, amores mesmo, bravios, gigantescos,
descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas
esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou
embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção.
Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.
Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais, de repente se
percebem ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos:
cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender;
necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de
razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor.
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de
exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão
talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão - nem
queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com
justiça, mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.
Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor
bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da
alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível?
Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que
é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco
esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode
trazer.
Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito.
Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança.
E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.
Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de
margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama.
Saia cantando e olhe alegre.
Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar
de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar
sempre, se possível com beijos, "aquela conversa importante que precisamos
ter"; arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida.
Para quem ama, toda atenção é sempre pouca.
Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível.
Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de
ter.
Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a
vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos
nossos sonhos): não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos
sentimentos aqui e agora.
Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não
dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração;
contar a verdade do tamanho do amor que sente.
Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes
sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de
sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser.
Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas
criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do
Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança.
Sem medo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade.
Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor,
ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das
frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira
expressão de tudo o que você é e nunca deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi
possível, ser.
Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto.
Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma.
Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de
você.
Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder
começar a tentar fazer o outro feliz.


Embora não haja dúvida sobre a necessidade da Poesia, me pego pensando no eterno questionamento do porquê escolhemos o poema como forma de expressão? A Poesia está em variais artes, mas o poema nos alisa, nos acaricia ou nos incomoda enquanto não o colocamos no papel, fica sussurrando ou gritando em nossos ouvidos durante o sono, na fila do banco, no supermercado, durante nossos trabalhos ou nos momentos de lazer.Ele não se cansa, não descansa até que o abriguemos entre nossos escritos. E depois quando menos esperamos surge outro, uma legião de palavras querendo ser escritas, nos expondo, revelando nossos sentidos diante do mundo. Enfim, existem destinos dos quais não se foge.
Jurema Barreto de Souza

Assim, querida Denise que sempre não escrevo, as poesias que busco, a imagem que coloco são as traduções da meu instante, dos meu quereres, as vezes levo horas para encontrar a poesia que fala, adequar a imagem que acredito dar enfase aos meus sentimentos, sou um pouco de cada coisa que escrevo, que colo, copio, grito, mas nunca me calo, sempre tem um poeta, um artista, que escuta meus anseios, alegrias e tristezas e me traduz nos seus poemas, poesias, músicas...

(Ouvindo Iolanda.....)


Caminhando
Réca Poletti
vou abocanhando leve
as peles morenas
ou pálidas
vou deitando
em cada uma
me plantando
em cada corpo
vou beijando
bocas pretas
e vermelhas
e tocando as línguas quentes
vou bebendo
todos os amores
cuspindo
todos os venenos.