

quando dou, não
tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu
dou, eu como.
Silvia Sangirardi


Amor Perfeito





Eternos Amantes
por Regina Vilarinhos
Quero ter teus olhos aos meus
e, sem vendas,
mergulhar dentro de ti.
Quero ter tua boca à minha
e, sem cansar,
sufocar-te de beijos.
Quero ter tua pele ao meu tato
e, sem medidas,
cobrir-te de carícias.
Quero ter teu corpo ao meu
e, sem censuras,
fazer o nosso amor.
Quero ter tua mente à minha
e, sem limites,
conhecer-te os pensamentos.
Quero ter teus sonhos aos meus
e, sem perturbá-los,
despertar-te ao amanhecer.
Quero ser o teu querer
e, sem temor,
eternizar-me dentro de ti.


O Quereres
Onde queres revólver sou coqueiro e onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada nada falta e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas o chão minha alma salta e ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco e onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez, e onde vês eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo eu sou o irmão e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo e onde buscas o anjo sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói e onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução e onde queres bandido sou herói
Eu queria querer-te amar o amor, construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés e vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou, não te quero (e não queres) como és
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo e onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua eu sou o sol e onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério eu sou a luz e onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro e onde queres coqueiro sou obus
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal e eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total do querer que há e do que não há em mim
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Caetano Veloso

Masturbação
Eis o centro do corpo
o nosso centro
onde os dedos escorregam devagar
e logo tornam onde nesse
centro
os dedos esfregam - correm
e voltam sem cessar
e então são os meus
já os teus dedos
e são meus dedos
já a tua boca
que vai sorvendo os lábios
dessa boca
que manipulo - conduzo
pensando em tua boca
Ardência funda
planta em movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde
E todo o corpo
é esse movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde
E todo o corpo
é esse movimento
em torno
em volta
no centro desses lábios
que a febre toma
engrossa
e vai cedendo a pouco e pouco
nos dedos e na palma
Maria Tereza Horta


Soneto da devoção
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez... — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
Vinicius de Moraes

Je te salue…
Je te salue, ô vermeillette fente
Qui vivement entre ces flancs reluis;
Je te salue, ô bienheuré pertuis,
Qui rend ma vie heureusement contente!
C'est toi qui fais que plus ne me tourmente
L'archer volant qui causait mes ennuis;
T'ayant tenu seulement quatre nuits,
Je sens ma force en moi déjà plus lente.
Ô petit trou, trou mignard, trou velu,
D'un poil follet mollement crêpelu,
Qui à ton gré domptes les plus rebelles:
Tous verts galants devraient, pour t'honnorer,
À beaux genoux te venir adorer,
Tenant au poing leurs flambantes chandelles!
Pierre de Ronsard




Oração do homem que corre
Senhor
Olho em volta de mim e veio a pressa de todos os homens...
Todos têm pressa pois precisam vencer o tempo, tão pouco tempo lhes deste...
A criança corre porque tem muito para brincar
E o tempo não lhe basta...
O adolescente corre porque tem muito que divertir
E o tempo não lhe basta...
O homem corre porque tem mil negócios a tratar
E o tempo não lhe basta...
A mulher corre porque precisa ganhar o tempo que perdeu
E o tempo não lhe basta...
Correm os carros pelas ruas, não importa se ferem ou matam.
Correm as motos, os ônibus, os caminhões.
Tudo corre, todos correm, e o tempo voa.
A conversa tranqüila e descompromissada não pode ser:
A falta de tempo não a permite.
O marido não conversa com a esposa: ele tem pressa e ela muito mais.
(Afinal deve recuperar o tempo que perdeu como simples dona-de-casa...)
O filho não conversa com o pai pois os amigos o esperam no bar.
E, afinal, o pai já está muito "coroa" para um papo legal...
Já não se passeia nas praças,
Não se anda pelas avenidas a olhar as vitrines,
Não se senta nos bancos para ouvir a banda
que tocava alegremente nos coretos enfeitados.
O mundo mudou.
O progresso veio correndo e com ele trouxe a correria.
Todos correm, não em busca de "ser mais" mas para "ter mais".
Ter mais dinheiro. Ter mais prestígio. Ter mais simpatia popular.
Ter olhares admirados. Ter a aprovação das multidões. Ter... Ter...Ter...
Olho em redor, Senhor,
E busco as mãos dada suavemente, os olhares serenos, os sorrisos calmos.
Ao invés do carinho inocente, vejo os beijos tórridos, carnais, sexuais.
Ao invés do namoro, vejo o "sarro".
Ao invés do amor, vejo o desejo.
Ao invés da paz, vejo a ansiedade.
Olho os céus e vejo a lua, as estrelas.
Todo o cosmos continua a girar na mesma velocidade de milhares de anos.
Só o homem, em sua tola vaidade, não descobre que o tempo continua o mesmo.
E que da vida que tanto quer tirar, em louca correria,
Somente tira o amargo sabor de vida que não viveu,
Do amor que não amou,
Da oração que não fez,
Porque corria, corria muito, até que para ele, num dia inesperado,
O tempo parou.
Amém!
(Autor Desconhecido)


by Unknown
Borboleta
Quando você ama alguém tão profundamente
Eles se tornam parte de sua vida
E é fácil sucumbir a medos opressivos internos
Cegamente eu imaginei
Que poderia te manter dentro de um vidro
Agora eu entendi que para ter você
Eu preciso abrir minhas mãos
E ver você subir
Abra suas asas e prepare-se para voar
Porque você se tornou uma borboleta
Oh, voe livremente rumo ao sol
Se você voltar para mim,
Nós verdadeiramente éramos para ser
Então abra suas asas e voe
Borboleta
Eu aprendi que a beleza
Tem que florescer na luz.
Cavalos selvagens devem correr livres
Ou seus espíritos morrem.
Você deu-me a coragem
Para ser tudo aquilo que eu sempre quis
E sinceramente eu sinto que o seu coração irá
Conduzí-lo de volta para mim quando você
Estiver pronto para pousar
Abra suas asas e prepare-se para voar
Porque você se tornou uma borboleta
Oh, voe livremente rumo ao sol
Se você voltar para mim,
Nós verdadeiramente éramos para ser
Então abra suas asas e voe
Borboleta
Eu não posso fingir que estas lágrimas
não estão caindo sem parar
Eu não posso evitar essa dor
Que está me consumindo
Mas eu suportarei e direi adeus
Porque você nunca será meu
Até que você aprenda VOAR
Abra suas asas e prepare para voar
Porque você se tornou uma borboleta
Voe livremente para o sol
Se você voltar pra mim
Nós verdadeiramente éramos para ser
Então abra suas asas e voe
Borboleta
Abra suas asas e prepare para voar
Porque você se tornou uma borboleta
Voe livremente para o sol
Se você voltar pra mim
Nós verdadeiramente éramos para ser
Então abra suas asas e voe
Borboleta
Assim tremule pelo céu
Borboleta
Abra suas asas e voe
Borboleta


Distantes Manuel Bandeira Da mesma maneira obscura que te encontrei, mesmo havendo horizontes nos separando, é confuso admitir , que completamente me apaixonei. Mesmo sabendo de tudo isto,te sinto presente, nossos ares não são o mesmos, porém, não me encontro desolado porque explicações nunca haverão. por se estar apaixonado, Distantes... ...estão nossos corpos Como compensação, pude obter teu nome mas mesmo assim , isto não teria grande valia para nós, porque como tua única referência, restou-me apenas tua voz... Em minha mente ela se faz, contundente, despertando minha imaginação, imagino tua face , teu jeito acreditando que um dia possamos, nos encontrarmos num beijo. Distantes... estão nossos lábios... Se soubesse o que me vem à mente, vida, paixão, ódio, morte.. saberia também que meu único refúgio, seria desfrutar de teu toque. Às vezes, mesmo nos desentendendo, e sem partilharmos do mesmo idioma, busco uma saída, que nos faça raciocinar, para que não façamos outras coisas, exceto nos amar. Distantes... estão nossos corpos... nossas faces... nossos lábios... mas nunca distantes.. estarão nossos corações. |

POEMETO ERÓTICO


Domine o seu 'eu inferior'
Por Patricia Gebrim
| Que jogue a primeira pedra quem nunca se sentiu uma pessoa horrível um dia desses! |
Não importa o quanto sejamos bons, conscientes ou sábios, é inevitável reconhecer que todos temos, dentro de nós, uma fera indomada, má e sangrenta que de vez em quando sai de sua caverna, cheirando a enxofre, e ameaça destruir nossa vida pacata e cheirosa.
Estou falando de nosso 'eu inferior' . "Rex", para os íntimos!
Queira ou não, existe dentro de você ( E DE TODOS NÓS!) uma parte feita dos piores sentimentos humanos: ciúme, inveja, raiva, ódio, medo, tristeza, e por aí vai.
Quer ver?
É o Rex que faz com que você pense coisas horríveis de vez em quando, que instiga você a dizer ou fazer coisas medonhas, que torna você duro e inflexível. É o Rex que embala seu coração em papel alumínio, e faz isso tão bem que você seria capaz de jurar que não existe nada batendo dentro do seu peito.
Assustador, eu sei.
Para que a leitura fique mais rica, tente lembrar agora de uma situação em que você esteve bem perto desse monstro que mora dentro de você. Pode ser um dia em que você tenha de fato se descontrolado e brigado com alguém, por exemplo. Lembrou? Agora tente perceber como você se "sentiu" naquele dia!
Sentimos prazer em ser 'maus'?
Ao fazer esse simples exercício, você pode aprender muito sobre o 'eu inferior'. A primeira coisa que poderá perceber é que o Rex é um "Eu" muito poderoso. Ele nos traz grandes emoções, nos deixa cheios de vida. Sim, é verdade! Pense nas vezes em que você entrou em uma discussão, ou ficou pensando em brigar com uma pessoa e dizer coisas horríveis a ela. Perceba como isso lhe trouxe um certo prazer.
Sim, sentimos certo prazer em sermos "maus", tanto que é muito difícil fazer alguém parar de brigar. A pessoa não quer parar porque está sentindo um prazer, que podemos chamar de "Prazer Negativo". O prazer negativo é um prazer momentâneo, que por algum tempo nos alimenta, MAS NÃO É UM PRAZER REAL. O prazer negativo, como o prazer que se pode obter pelo uso de algum tipo de droga, simplesmente não dura. Depois que passa a briga, acabamos por nos sentir mal, por nos dar conta do quanto de destruição causamos aos outros e a nós mesmos. A pergunta transformadora é:
- Será que valeu a pena?
Acho que você já percebeu que quando deixa livre o seu 'eu inferior', quando permite que o Rex saia por aí atacando as pessoas, atrai uma grande quantidade de caos e destruição na sua direção.
Podemos trancar o monstro?
Algumas pessoas tem tanto medo do que esse monstro possa causar que decidem trancá-lo em uma caverna escura e fingir que ele não existe. São aquelas pessoas que dizem NUNCA sentir raiva, ciúme, ódio, inveja e nenhum desses sentimentos. São pessoas que querem, a todo custo, ser boas e amorosas. Quando as pessoas agem assim, duas coisas acontecem. Para explicar a primeira delas, preciso dizer que nos seres humanos os sentimentos estão inevitavelmente ligados uns aos outros.
Logo, se eu não quiser entrar em contato com a minha raiva, ou tristeza e as trancar em um quarto escuro no meu inconsciente, isso significa que eu aprisionarei com elas a minha alegria, o amor e os mais belos sentimentos. Talvez eu não sinta raiva, mas também não serei capaz de sorrir, de acreditar na vida ou de amar. Vou virar um tipo de zumbi sem sentimentos. Inofensivo, talvez, como aqueles zumbis dos filmes, que mal se agüentam em pé! Mas sem vida... (Triste não é?)
Outra coisa que acontece é que ao fazer isso eu me desconecto do meu poder. Sim, porque o 'eu inferior' está diretamente ligado a uma preciosa fonte de energia de vida, chamada poder. O 'eu inferior', com suas distorções, acaba usando esse poder de forma também distorcida, exercendo-o sobre os outros e causando uma série de males. Mas quando aceitamos e curamos o 'eu inferior', temos acesso a um poder livre de distorções, o poder de sermos quem somos, de nos sentirmos vivos, vibrantes, cheios de energia. Nós precisamos desse poder positivo para criar a nossa vida, para alcançar nossos sonhos, para viver intensamente, apaixonadamente. (Com paixão = compaixão).
Bem, voltamos ao nosso dilema. O que fazer com o Rex ???
Se não podemos soltá-lo (uma vez que ele destruirá o que mais amamos) nem prendê-lo (com o risco de virarmos zumbis sem poder) o que fazer?
Ouça, não há nada de errado com o nosso desejo de sermos pessoas melhores, mas para isso precisamos ACEITAR O PONTO ONDE ESTAMOS, aceitar todos esses sentimentos sombrios que se movem furtivamente nas cavernas de nosso inconsciente. Precisamos aceitar e nos responsabilizar pelo Rex e por sua cura.
Somos domadores de monstros!
Logo, na próxima vez em que sentir um cheiro de enxofre vindo de dentro de você, e perceber seu 'eu inferior'. Na próxima vez que senti-lo presente, saiba que essa será a sua chance de exercitar suas habilidades, de domar seu monstro. Seja carinhoso com você mesmo, não se julgue por estar sentindo algo tão horrível assim. Respire fundo e aceite o sentimento, porque é ISSO É APENAS UM SENTIMENTO QUE VAI PASSAR.
Repito, não importa a intensidade da raiva, da inveja, do medo ou do ciúme, é "apenas" um sentimento. Respire fundo e repita mentalmente:
- Ok, estou agora sentindo muito....................! (complete com o seu sentimento).
Fique com isso. Não despeje seu lixo sobre ninguém. Afaste-se se for necessário e imagine que a sua respiração seja um tipo de bálsamo curador para esse sentimento. Continue respirando e imagine o ar levando aceitação e cura na direção do monstro. Assuma a responsabilidade de transformar esse sentimento, porque NÃO IMPORTA O QUE OS OUTROS TENHAM FEITO A VOCÊ, CURAR ESSE SENTIMENTO É TAREFA SUA.
Na medida em que você for fazendo isso, aos poucos, o monstro irá se acalmar, acredite.
Talvez você não consiga logo na primeira vez, afinal não está acostumado a fazer isso, mas não desista. Curar o mal que existe dentro de nós é a tarefa mais amorosa que podemos realizar, é a maior contribuição que podemos oferecer a nós mesmos, àqueles que amamos e ao planeta de uma forma geral.
É claro que, se você estiver em contato com a sua luz, o seu 'eu superior', tudo isso vai ficar muito mais fácil. Por hora desejo a você sucesso para a próxima vez em que der de cara com o Rex!
