

quando dou, não
tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu
dou, eu como.
Silvia Sangirardi


Amor Perfeito





19 DE AGOSTO - FELIZ DIA DO ORGULHO LÉSBICO
Miriam Martinho
Na história dos movimentos sociais, os bares ocupam um papel de destaque
Durante o movimento pelos direitos civis dos negros norte-americanos, uma
das primeiras ações dos ativistas consistia em entrar nos bares white- only
(só para brancos) e sentar-se nas mesas ou nos banquinhos em frente ao
balcão enquanto esperavam pacificamente a chegada da polícia que arrastava
todo mundo para fora e levava uns tantos para delegacia. Mesmo levando
pancada, os jovens negros continuaram voltando e se sentando nos bares “só
para brancos” até que os donos dos recintos perceberam ser mais proveitoso
tornarem seus estabelecimentos coloridos (colored).
No dia 28 de junho de 1969, cansados de ver a polícia invadir seus bares
molestar e prender muita gente, travestis, lésbicas e gays protagonizaram
uma batalha campal contra seus repressores em frente ao bar Stonewall Inn,
em Nova Iorque, no que viria a ser conhecido como dia internacional do
orgulho gay.
Em 19 de agosto de 1983, em São Paulo, cansadas de ser impedidas de
vender seu boletim no Ferro’s Bar que sustentavam e de ser molestadas pelos
seguranças e pela polícia, ativistas lésbicas fizeram uma manifestação em
frente ao bar, apesar do medo, apoiadas por militantes gays e feministas,
parlamentares e a OAB, que culminou com a liberação da venda da publicação e
um melhor atendimento à clientela lésbica.
Todos esses eventos guardam entre si o mesmo espírito, o espírito do
inconformismo diante do preconceito e da discriminação, em momentos
históricos de grande repressão. Nos Estados Unidos, no período das décadas
de 50 e 60, vivia-se o apartheid racial e a demonização da homossexualidade.
No Brasil, vivíamos ainda sobre a ditadura militar e às voltas com um
aparelho repressivo que prendia gente sem razão e sem restrição. Eram comuns
as batidas nos bares de gays e lésbicas, e freqüentadoras do Ferro’s na
época lembram dos finais de semana que passavam na cadeia apenas por serem
lésbicas.
Sobretudo, os episódios de Stonewall Inn e do Ferro’s Bar têm em comum o
fato de terem sido protagonizados por pessoas tão marginalizadas na época
que mesmo os setores progressistas da sociedade relutavam em apoiar. Tem em
comum também o fato de terem sido resgatados e capitalizados por ativistas
gays (Gay Liberation Front) e lésbicas (Um Outro Olhar) para marcar
indelevelmente às páginas da História.
Em nosso país, o 19 de agosto foi a primeira manifestação de
visibilidade lésbica ocorrida no Brasil bem como o precursor dos “beijaços”
que nos últimos anos vem sendo realizados nos mais diferentes recintos,
sobretudo bares, que ainda se recusam a nos tratar com igualdade de direitos...

Estou de volta queridos (as) Tenho andada muito atarefada, mas sempre bate a saudade e aqui estou e nada melhor do que relembrar outros tempos, refletir o quanto nós avançamos e o quanto precisamos nos unir.. principalmente dar os parabéns para estas maravilhosas mulheres lésbicas, valentes, corajosas, lésbicas assumidas....

Mulheres na visão de Rita Lee
Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade, até porque
elas são desarmadas pela própria natureza: Nascem sem pênis, sem o poder fálico
da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas,
revólveres, flechas, espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de
plástico, como fazem os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência. As
mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação
ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou
as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e
os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.
É preciso voltar s olhos para a população feminina como a grande articuladora
da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito
às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa.
Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao
longo dos anos.
Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São
as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas
e puderem fazer prevalecer a ternura de suas
mentes e a doçura de seus corações. Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda
brasileira é só bunda.


Observações
Falo sozinha
Pois só os loucos se permitem
Diálogo consigo mesmo
Talvez somente os insanos
Se questionem sem pudor
Se permitam o diálogo
Entre as partes do seu ser
E quão tênue é a fronteira entre a sanidade e a loucura.
Oscilamos pendularmente entre loucura e sanidade
Isso é viver...
Talvez a plenitude seja
Não sentir culpa pela loucura!
Letícia Marques
