quando dou, não tomo
multiplico, somo
amo, mas não domo
sou fada e gnomo
quando eu dou, eu como.

Silvia Sangirardi









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Amor Perfeito








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//Créditos




 

Teus seios me apontam o caminho
e sigo,
descalço e nu,
alimentando-me, unicamente,
do leite puro de tetas
e do mel, mosto único,
embriagador,
sensação lancinante
nos presentes que me embalas,
ao me ninar
sobre as coxas
em veludo.

 

 

 

...

 



- Postado por: às 09h49 PM
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Gostava às vezes de ser outra

 

 

 




Gostava às vezes de ser outra.
Outra mulher a sussurrar sem medo
Gostava de ser uma, assim, calma, paciente.
Que levasse a vida devagar, sem agonia.
Assim, como quem não sente.


Gostava de ser outra a descansar,
Tranqüila...Consciência em paz, sossegada,
De quem não se atira à vida.
Uma assim que não sofresse,
Não parasse, pra pensar...
Não se arrependesse.


Mas não. Tenho o espírito
Em constante rebuliço.
Sempre perguntando o porquê
De tudo isso.
Ora apaixonada,
Ora em desgraça,
Ora alegre, triste, irada.
Danço e brigo,
Vou e volto.


Gostava bem de ser outra,
Às vezes...

(A poesia me abandonava?)

Silvia Chueire



- Postado por: às 02h38 AM
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Os teus meandros

 

 

Andei às voltas
No meu mundo
Enquanto te procurava
E não te achava.
Dentro do absurdo.
Andei às voltas
De dentro de mim.

Andei por ai
Nos meandros solitários
Do teu mundo louco.
Do teu corpo pouco
Que me deixa á toa.
Que ora fica, ora voa.
Que tem sorrisos vários.

E por fim encontrei-me.
Comparei os dois mundos
Que andavam separados.
Senti mais do que nunca
O sabor doce a paixão…
Esqueci o resto.
E és tu aqui… os outros não.




- Postado por: às 02h36 AM
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Do amor
Paulinho Moska

Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento, relações de dependência e submissão. Paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor, chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto. Para mim, que o amor se manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita, o amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?

Minha resposta? O amor é o desconhecido.

Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação, o amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta, ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor, é a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas, o amor brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.


 

 

 



- Postado por: às 05h47 AM
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- Postado por: às 02h43 AM
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Subtrações

queria você em estado bruto,
sem o polimento da imagem,
sem a maquiagem das roupas, do corte do cabelo
e das palavras pensadas que
eu escolho e uso-ouso pra falar de você.

queria você nua de adjetivos,
despida dos clichês usuais,
virgem ainda do toque das palavras puídas,
desgastadas, prostituídas,
que já usei tantas vezes pra falar de corpos
não tão necessários quanto o seu.

queria apenas sua imagem
dissolvendo meus olhos e meu sexo,
excitando meu tato,
aguçando meu olfato,
sabor doce-salgado escorrendo pela minha língua,
provado-atestado pelo meu paladar.

queria você assim só para os sentidos,
só cheiro, gosto, toque, sensação,
sem a necessidade das palavras,
dos nomes, da narração pretensiosamente real
dos atos-fatos-acontecidos.

eu uso o meu desejo-querer
no pretérito imperfeito do indicativo,
porque estraguei todas as possibilidades
de ver, de olhos-nus-vazios,
você apenas sucessão de fotografias vivas,
sem legendas, sem frases explicativas,
sem notas de rodapé.

sujei sua carne, sua pele, suas partes
com minha saliva alfabetizada,
com minha saliva escravizada-amaldiçoada
pela necessidade de transformar em texto,
talvez poema, talvez prosa,
talvez artigo, talvez ensaio,
algo-seu-meu que jamais possa se aprisionar.

o que consigo
são esboços tortos,
mistura de traços, riscos, rabiscos esgarranchados,
e dicionários aos mil vasculhados,
atrás das palavras certas,
das combinações entre elas,
como quem busca recriar um DNA
e te reproduzir no papel
tal como você é.

você é minha maior vontade,
meu maior impulso primeiro,
minha maior frustração.
você é minha consciência viva e externa
da minha dependência, dos meus olhos pedintes,
do meu corpo sempre falta.

você é a certeza da minha necessidade
e da minha incapacidade,
da minha falsa autonomia,
da minha busca sem possibilidades,
das minhas mãos vazias.

você assim carne, assim pulso, corpo, pele, respiração
extrapola qualquer rima, qualquer versificação.
você é o próprio poema,
seduzindo, comovendo, excitando, rasgando, doendo.
o resto, meu bem,
é só meta-texto, referência, pretensão.
o resto, meu bem,
é apenas rascunho,
é apenas palavras como essas,
desenhadas, pedintes, querentes,
desejo frustrado, subtraído, gozo interrompido.

o que me resta,
entre restos da singularidade que é você,
é a contemplação muda,
os dedos em câimbras doloridas,
os olhos cansados de olhar
e a certeza da minha impotência
quanto ao dilaceramento do tempo
e a degradação da sua imagem-corpo-carne .

Texto: Janaína Calaça



- Postado por: às 04h17 AM
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Não, não é cansaço...

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Álvaro de Campos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



- Postado por: às 12h15 PM
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